17 de julho de 2015

Deus e o Menino


 

No meu imaginário de menino,
Deus é um velho muito bom e muito vivido,
No meu imaginário de menino,
Deus é um velho curvado e um pouco esquecido.

É um velho ferido e revoltado,
Sempre que vê um homem ser torturado.
É um velho que chora quando vê crianças a sofrer,
É um velho cansado, que não sabe porque não pode morrer.

Estou certo que se algum dia este velho morrer,
Será junto de Cristo que irá viver,
E quando este velho cansado e Cristo se reencontrarem,
Todas as lágrimas que eles chorarem,
Não serão vertidas pelo que cada um deles sofreu,
Mas pela humanidade que ainda nada compreendeu.

Estou sempre à espera que um dia o velho me visite,
Como esse dia nunca chega, perguntei a um anjo se ele realmente existe,
E o anjo disse-me que se o Céu é belo, Deus não é a única razão,
Pois o belo também existe na minha imaginação.

Depois de tudo isto ter acontecido,
Percebi que já não era um menino,
Percebi que tinha crescido,
E o velho tinha finalmente morrido.

Lisboa, 16 de Julho de 2015.
José Baptista

6 comentários:

Jenny Horta disse...

Lindo poema, Marli! Obrigada por compartilhá-lo!

Marli Fiorentin disse...

Jenny, é uma contribuição que chega de Portugal. Que bom que você gostou! Abraço!

Isildinha antunes disse...

Passando para visitar e amei seu blog seguindo parabéns
http://amoreluz10.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

Parabéns pelo seu blog de poesia!

Passe também pelo meu:
http://carrovazio.blogspot.pt/

Fabricio disse...

Lindas palavras

Clara Caetano disse...

Amei, a profundidade está na nossa alma, nem sempre precisamos de Deus para ver a beleza do mundo. Ela está ao nosso redor, nas coisas mais simples, e no nosso interior. A forma que contas a história também é admirável (:

nuancesmarinas.blogspot.com