10 de outubro de 2015

Mesopotâmia


Nas terras férteis da antiga Mesopotâmia,
Entre o rio Tigre e o rio Eufrates,
Reinam agora a violência e a infâmia,
Travam-se os mais sangrentos combates.


Nessa terra outrora fértil e generosa,
Onde a vida já foi fresca e saborosa,
Semeia-se agora o medo e o terror,
Colhe-se desmesuradamente a dor.


Milhares de homens com uma arma na mão,
Gritam morte ao infiel cristão,
Cometem chacinas e executam decapitações,
Mostram ao mundo as suas cruéis intenções.


Querem reconstruir o grande Califado,
Nem que para isso metade do mundo fique desabitado,
Acreditam que a Guerra Santa conduz à salvação,
Mas a Guerra nunca é santa, é sangue e desolação.


Agora, por terras áridas, secas e gretadas,
Deslocam-se populações desesperadas,
Fogem da Guerra e da extrema violência,
Partem à procura de um país chamado sobrevivência.


A morte, a insaciável amante,
Segue-os, nem de perto, nem distante,
Somente com paciência espera,
Que se apague a chama que a vida gera.


O melhor dos homens, nesse local da natureza,
Duvida de tudo que antes tinha como certeza,
Envolto por um mundo de violência e dor,
Ardem-lhe nos olhos lágrimas de amor.


O povo que antes vivia na antiga Mesopotâmia,
Vive agora num campo de refugiados na Jordânia,
Fugiu da Guerra, perdeu a pátria e o lar,
Perdeu a fé em Deus, deixou de acreditar.

Por José Baptista
Lisboa

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