24 de fevereiro de 2016

Sou


Sou feito com o tecido,
De um sonho esquecido.
Sou uma realidade indefinível,
Acalentando um sonho impossível.
Sou um espectador sentado no meio do palco,
Olhando a vida que debaixo dos pés calco.
Sou sempre monotonamente diferente,
Fruto de uma alquimia secreta da mente.
Sou eu próprio o meu esconderijo,
O que sou, instintivamente finjo.
Sou o que quer, aos segredos mais profundos ter acesso,
Para poder virá-los completamente ao avesso.
Sou um potente telescópio,
Que só se perscruta a si próprio.
Sou alguém que quer ter como quarto o Universo,
Sou tudo isto, e sou o seu inverso.


José Baptista - Lisboa


3 comentários:

ANTONIO AFONSO disse...

Sou tudo...menos o improvável!
Mas...sou mais que o provável!
Sou tudo...e mais além...

Gostei imenso,PARABÉNS!

Felippe Macedo disse...

Singelo, belo e profundo.***

Nancy Zeitone disse...

Gostei MUITO do poema "Sou". Profundo, enigmático. Parabéns
Nancy Zeitone