16 de junho de 2015

A fome



No dia em que a dor triunfou,
Pela Terra inteira ecoou,
Um cântico fúnebre e disforme,
E nesse dia apareceu a fome.

Agora, do outro lado do mar,
Entre os povos negros africanos,
Está a fera novamente a saciar,
O terrível apetite que sente por seres humanos.

O vento que antes trazia o som de risos e alegria,
Traz agora o som de dor e agonia,
Num trágico instante a vida humana submergiu,
E a partir desse momento, nada mais chegou, nada mais se ouviu.

Fez-se um silêncio imenso,
Pois a fome tudo cala,
E tudo o que faço ou penso,
É nada, a semelhante escala.

Lisboa, 12 de Junho de 2015.
José Baptista

6 comentários:

Maurício Marini disse...

incrivel...a mais pura verdade!

permita-me apresentar-me!
Maurício Marini...muito prazer...

Lourdinha Vilela disse...

Bom dia Marli.

Um poema dorido, uma constatação verdadeira que nos faz refletir sobre a nossa atuação, o nosso descaso.

Estou visitando o blog pela primeira vez, gostei muito. Amo poesias.
Um grande abraço.

Lourdinha Vilela disse...

Bom dia Marli.

Um poema dorido, uma constatação verdadeira que nos faz refletir sobre a nossa atuação, o nosso descaso.

Estou visitando o blog pela primeira vez, gostei muito. Amo poesias.
Um grande abraço.

Werlen M. dos Santos disse...

Buscando por poesias deparei-me com esta sobre a fome. Linda! Parabéns!

Nancy Zeitone disse...

Lindíssimo poema de José Baptista. Sensibiliza, e muito. Parabéns!

Fabricio Cruz disse...

chorei com seu poema...